Aos 18 anos, ator estreante de ‘Malhação’ usa salto

Pedro diz que gosta de 'se montar' e que é bem resolvido

Ele vive o desafio de interpretar, em seu primeiro papel na TV, um personagem gay bem resolvido em “Malhação, vidas brasileiras”. Mas o que nem todos sabem é que o ator paraibano Pedro Vinícius, de 18 anos, tem muitas semelhanças com o papel que vive na novela.

Michael, um garoto que tem fortes relações como o universo feminino. Assim como na trama adolescente, Pedro adora usar salto alto e roupas consideradas de mulher. “Já me ‘montei’ algumas vezes. Há pessoas que estranham bastante, e me olham com cara de reprovação, mas eu já encarei a realidade que eu não agradarei a todos”, diz, bastante seguro de si.

Em entrevista ao EXTRA, o ator revela também que já sofreu preconceito na época da escola: “Já fiquei no meio de uma roda em que meninos me xingavam, já tive meus livros arrancados da minha mão e jogados no chão, seguido da frase ‘eu vou te ensinar a ser homem’, bem como já tive ‘amigos’ que se ofereceram para me ensinar a andar e falar como homem, porque para eles, tudo o que eu fazia, era muito ‘mulherzinha’. E eu sou mesmo muito mulherzinha, bichinha, afeminado, viadinho. Tudo isso eu sou, e me orgulho”. Confira a entrevista:

O que há de semelhança entre o Michael e o Pedro?

Bastante coisa, somos muito parecidos. Assim como ele é muito bem resolvido com quem ele é, eu também sou. Temos mães muito parecidas também, que sempre apoiaram os filhos nas suas decisões, e as pessoas com quem nos relacionamos nunca foi uma questão contundente para uma boa relação familiar. Minha mãe, Célia, e a mãe do Michael, Beth (Gorete Milagres), são quase a mesma pessoa.

É difícil interpretar o Michael?

É um personagem que eu tenho bastante ligação. Portanto, entender o personagem, como a cabeça dele funciona e encontrar as razões para as ações dele não é uma dificuldade. Muitas das vezes eu encontro mais dificuldades em como expressar isso da melhor forma possível para o público, afinal, é um personagem que muitas pessoas não entendem.

Como está a repercussão nas ruas sobre o personagem?

Está interessante. Quando comecei com o Michael, por causa da exposição, eu confesso que tive muito medo de sofrer ataques homofóbicos pela internet e nas ruas. Sei que fazendo o Michael ou não, infelizmente, a LGBTfobia é uma violência que faz parte da minha realidade, assim como faz parte de tantas outras pessoas. Mas, por enquanto, nunca sofri algo nas ruas. E fico feliz que todas as vezes que me pararam foi para tirar fotos e receber elogios pelo personagem.

Qual a importância da Malhação abordar o preconceito e a intolerância contra os gays?

É de extrema importância. E não só contra os gays, mas também contra toda a Comunidade LGBTQ+. Sabemos que “Malhação” é uma novela que dialoga não só com o público jovem, mas também com o público adulto, que, por vezes, procuram a novela para entender mais sobre a nossa juventude. Dessa forma, abordar o preconceito é uma maneira de fazer com que muitos pais e mães repensem a forma que lidam com um filho ou uma filha que é LGBTQ, por exemplo. Já há bastante intolerância nas ruas, por que haver também dentro do próprio lar?

Você já sofreu ou sofre muitos preconceitos?

Eu me sinto muito privilegiado por não ter passado por uma agressão física tão forte, uma vez que eu vivo num dos países que mais mata pessoas LGBTQ’s, estar vivo e poder falar sobre isso é um privilégio. Eu já sofri muito por causa das pessoas ao redor, principalmente na infância. Já fiquei no meio de uma roda em que meninos me xingavam, já tive meus livros arrancados da minha mão e jogados no chão, seguido da frase ‘eu vou te ensinar a ser homem’, bem como já tive “amigos”que se ofereceram para me ensinar a andar e falar como homem, porque para eles, tudo o que eu fazia, era muito “mulherzinha”. E eu sou mesmo muito mulherzinha, bichinha, afeminado, viadinho. Tudo isso eu sou, e me orgulho.

Vi no seu Instagram outro dia você usando um salto alto. Você costuma usar roupas consideradas femininas? Como se sente?

Sim, eu costumo usar roupas. Eu me sinto muito à vontade, gosto muito do meu estilo, particularmente. Adoro usar salto alto, seja qual for a situação, desde trabalho até eventos mais formais. A minha regra para roupa é simples, se eu acho que ficou bem e eu me sinto confortável com ela, eu uso, afinal, roupa não tem gênero.

E como é a reação do público em relação a você usar saltos?

Primeiro as pessoas elogiam o salto, daí depois elas olham para mim e falam “meu deus, é um cara!”. Isso realmente acontece, mas não é sempre assim. Há pessoas que estranham bastante, e me olham com cara de reprovação, mas eu já encarei a realidade que eu não agradarei a todos.

Já se “montou” alguma vez ou teve vontade?

Sim, eu já me “montei” algumas vezes no período que estava no ensino médio. Foi uma catástrofe, eu usava uma peruca ondulada meio grisalha que ia até o meio das costas e fazia uma maquiagem escura, sem fazer uma pele antes. As roupas eram das minhas amigas que me emprestavam. Era muito divertido, e eu achava tudo isso um máximo, afinal eu estava descobrindo uma parte muito nova minha, e que hoje em dia eu não conseguiria viver sem de maneira alguma. Eu ainda tenho muita vontade de me montar, adoraria sair com as drag queens cariocas numa noite de miga.

Fonte: ORM

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