“Caça às Bruxas” na Bienal do Livro causa polêmica

O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que é evangélico, autorizou com o amparo de uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio, o recolhimento de obras literárias infanto-juvenis com conteúdo LGBT, como uma historia em quadrinhos de Super heróis da Marvel e um álbum de historinhas eróticas com desenhos infantis. A decisão judicial foi concedida na sexta (06.09) e deveria ser executada pelos fiscais da policia no sábado (07.09), mas a polêmica criada pela repressão às obras acabou tendo efeito reverso. As obras foram todas vendidas e se esgotaram em poucas horas. Os fiscais saíram de mãos vazias.
A polêmica causada pela “Caça às bruxas” durante a Bienal teve repercussão em todas as camadas jurídicas e artísticas. Houve protestos de escritores, grupos LGBT e de Youtubers, que classificaram a ação como um retrocesso à era das trevas que havia nos tempos da ditadura militar. Alguns observadores, porém, notam que houve um exagero em torno do fato, pois o prefeito não tinha intenção de realizar qualquer tipo de censura moral, mas sim de alertar os pais para supervisionar o que seus filhos iriam ver nessas obras que deveriam estar lacradas com plástico e com tarjas avisando sobre o conteúdo. A liminar foi derrubada pelo STF. O album de quadrinhos “Vingadores : A cruzada das crianças” mostrava apenas uma cena de beijo entre dois rapazes que estavam vestidos e a outra obra era uma sátira infantil com cenas eróticas que lembrava a antiga série “Amar é…” dos anos 70. Alguns Youtubers disseram que essa medida era desnecessária já que a história em quadrinhos citada não era voltada para crianças mas sim adolescentes, que já têm conhecimento desse tipo de temática. A revista era uma reedição de uma história lançada em 2012 por uma editora de quadrinhos no Brasil. Nos EUA, desde os anos 50, existia um selo de “Código de ética” nas capas dos gibis que avisava não haver conteúdo “Forte” naquelas historias. O selo foi banido em 2001 após uma história dos “X-Men”.
As obras eram comercializadas durante a décima nona “Bienal do Livro”, no Rio de Janeiro.

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