Educomunicação e leitura crítica das notícias

O exercício cotidiano de leitura crítica dos meios de comunicação de massa é fundamental para a cidadania. Se tiver uma manchete num jornal procure o mesmo tema em outros e confronte o que eles dizem. Vai perceber que nossa imprensa se posiciona politicamente justamente no que escreve nas manchetes e na decisão sobre que acontecimentos dar maior ou menor visibilidade.

Embora as TVs e Rádios sejam concessões públicas, elas foram loteadas por empresas e políticos (o que é contra a Constituição!). E as empresas de televisão e rádio, principalmente as regionais, acabam dando maior visibilidade aos interesses de seus grupos e não aos interesses dos cidadãos. Mas vendem toda essa informação como sendo “legítima”, “objetiva” e “imparcial”. Cidadão: duvide sempre! Duvidar é preciso”.

Diante disso, é necessário exercer sempre uma leitura crítica dos meios de comunicação. E trata-se de coisa muito simples: nunca ficar na primeira notícia ou manchete. Ler os textos na íntegra, pois às vezes dizem uma coisa na manchete e outra no texto, contraditória. Bingo! Se você descobre isso, já é um posicionamento crítico de sua parte. Comparar as edições dos telejornais, para ver quem deu tal notícia e como a apresentou para os telespectadores e comparar as diferenças de abordagem. Você vai perceber coisas muito interessantes.

Lembre-se sempre que a notícia tem grande importância social, mas também é, ao mesmo tempo, um produto à venda pelas empresas de comunicação. Desta forma, entre o lucro e os interesses dos cidadãos, geralmente os grupos midiáticos ficam com o primeiro. Defenda o seu direito de ter acesso à informação de qualidade. Seja um leitor crítico da comunicação!

Uma proposta educomunicativa de trabalhar na sala de aula é avançar na leitura de jornais, revistas e sites, e propor aos alunos uma análise em pequena escala, durante um determinado período, do que saiu sobre um determinado tema na imprensa. Analisar por que se usa uma palavra ou termo e não outro em uma notícia? A escolha de uma foto, a colocação dela na página, o uso de determinadas fontes de informação e não de outras para uma entrevista podem direcionar a visão que os jovens têm da realidade.

E posteriormente organizar os alunos, por exemplo, para escreverem um boletim ou um folheto sobre a questão, além de desenvolver a atenção e as habilidades de leitura e escrita, o tema vai se aproximar da realidade dos estudantes.

Uma sociedade mais exigente em relação à imprensa incentiva os meios de comunicação a adotarem melhores práticas e aprimorar suas técnicas, assim como a prestar contas de forma mais sistemática ao público. Do mesmo modo, uma imprensa mais transparente sobre sua estrutura organizacional, propriedade, recursos publicitários e fontes contribui com a recuperação da credibilidade dos meios de comunicação e a educação crítica da sociedade para a recepção de meios.

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