Educomunicação e Movimentos Sociais

A interface comunicação/educação (ou Educomunicação) é um campo que surge a partir do movimento popular da América Latina, de maneira que achamos importante dedicar algumas linhas para a reflexão sobre a relação dos movimentos sociais com a educomunicação. Quando se faz referência a movimentos sociais há uma tendência em se pensar naqueles grupos que realizam manifestações reivindicatórias (greves, ocupações de terras, passeatas etc.), no entanto além dos movimentos reivindicatórios interessados em representar os interesses do povo existem também aqueles que são conservadores, que reúnem setores do regime capitalista e não desejam mudanças sociais emancipatórias, não têm interesse em transformar as estruturas de dominação.Edu 3

Em síntese há duas grandes manifestações dos movimentos sociais: os que expressam os interesses de grupos hegemônicos e os que expressam os interesses dos grupos populares. Estes últimos são os que conhecemos como movimentos populares e nesse contexto é o movimento que mais se aproxima do conceito de educomunicação entendida como uma “práxis social”, originária de um paradigma orientador da gestão de ações em sociedade, com uma lógica própria, daí sua condição de campo de intervenção social.

Algumas características da comunicação popular nos movimentos populares, que são: expressão de um contexto de luta; conteúdo crítico-emancipador; espaço de expressão democrática; o povo protagonista; e instrumento das classes subalternas. Damos ênfase à característica da expressão de um contexto de luta, que aproxima a comunicação popular da educação popular, pois se encontra ligada à luta do povo contra a degradação das condições de existência e pela defesa da vida.

Sem o mesmo aparato tecnológico e recursos financeiros que os grandes veículos de comunicação uma das dificuldades dos movimentos sociais populares no Brasil era produzir sua comunicação e formar suas lideranças. Diante disso foi preciso recorrer aos recursos humanos disponíveis, ou seja, seus militantes, que eram pessoas voluntárias dos próprios movimentos. Estas pessoas não necessariamente eram profissionais de comunicação, mas participavam de cursos, palestras, seminários, oficinas e outras atividades de formação realizadas para capacitar as lideranças e, posteriormente, se tornavam multiplicadores do conhecimento adquirido. A partir disso os movimentos sociais populares passaram a desenvolver seus próprios veículos de comunicação, como as “rádios postes” e rádios comunitárias, os jornais de bairro, os centros de documentação, entre outros.

Com o avanço das tecnologias de comunicação/informação e a democratização aos meios de acesso a internet, a comunicação eletrônica tem sido inserida cada vez mais no cotidiano da população. Com isso Os movimentos sociais passaram a utilizar essas ferramentas para atuação política em torno de causas coletivas por todo o mundo. O Brasil é o país que mais usa as redes sociais na América Latina, com ênfase ao Facebook: 95% dos brasileiros que possuem alguma rede social estão no Facebook.

Portanto os Movimentos sociais podem ser beneficiados pelo uso das redes, assim como movimentos que nasceram nas redes podem crescer para fora destas. No entanto, apesar de sua influência, podendo até causar revoluções, deve ficar claro que as redes sociais não são a causa destas, mas sim uma ferramenta que pode ser utilizada como auxílio em diversos pontos, seja para levantar debates, mobilizar pessoas ou organizar manifestações. São esses instrumentos fornecidos que ampliam a participação democrática da população e permitem uma maior mobilização política.Edu 1

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