O que são milícias?

No meio de um fogo cruzado, que cada vez mais aumenta o número de vítimas inocentes, a população brasileira se depara com termos que ainda são incompreensíveis para a maioria dos espectadores deste cenário de crescente violência.

Milícias são grupos armados irregulares, formados muitas vezes por integrantes e ex- integrantes de forças de segurança do Estado, como policiais, bombeiros e agentes penitenciários. Os milicianos assumem, por meio da força armada, o controle territorial de áreas ou mesmo bairros inteiros e coagem moradores e comerciantes, segundo definições traçadas pelos pesquisadores Ignácio Cano e Thais Duarte, no estudo “No Sapatinho: a evolução das milícias no Rio de Janeiro (2008-2011)”, publicado em 2012.

Estes criminosos se apresentam como uma solução para o problema do tráfico de drogas, seja para impedir sua entrada em um determinado bairro, por exemplo, ou como uma forma de expulsar os traficantes dali.

MilíciasEstes grupos podem ter 20, 30 ou até 40 membros. São pessoas que, de alguma forma, têm acesso privilegiado a armas e bons contatos na polícia, o que lhes confere proteção. Eles ocupam uma área sob a justificativa de que proporcionarão a segurança que o Estado não é capaz de fornecer; deixam um grupo armado no local e partem para outras áreas para invadi-las”, diz Michel Misse, diretor do Núcleo de Estudos em Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

As milícias têm como objetivo principal o lucro, obtido a princípio pela cobrança da proteção oferecida nestes locais. “Eles chegam dizendo que trarão a paz, mas isso tem um preço, que é a taxa de segurança imposta a moradores e comerciantes. Quem se opõe, é morto. Depois, as milícias percebem que podem criar um negócio mais amplo e ampliam o portfólio de suas atividades”, explica o sociólogo José Cláudio de Souza Alves, professor da UFFRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro).

O pesquisador diz que, atualmente, as milícias estão envolvidas na oferta de uma variedade de serviços, como venda de água, gás e cestas de alimentos, transporte clandestino, TV a cabo e Internet piratas, roubo e refino de petróleo cru para fabricação de combustível, coleta de lixo e, também, na apropriação de terras públicas e privadas abandonadas ou sem uso, que são loteadas e vendidas ilegalmente.

MilíciasEsta última atividade estaria ligada ao crime contra Marielle e Anderson, de acordo com a polícia, porque a vereadora estaria apoiando um grupo que lutava contra o plano da prefeitura para a comunidade de Rio das Pedras, na zona oeste, de realizar parcerias com construtoras para que elas fizessem obras de urbanização em troca da permissão para construir edifícios de até 12 andares na região.

TIPOS DE MILÍCIAS ATUANTES NA GRANDE BELÉM:

  • Transporte alternativo: Acontece quando um grupo domina territorialmente um local e cobra taxas para que as pessoas exerçam o seu trabalho. No caso do transporte, são abordados mototáxistas e motoristas de vans. Segundo o delegado, caso a cobrança não seja paga, essas pessoas são expulsas do local ou mortas.
  • Contrabando: Grupo de pessoas que são contratadas para fazer a segurança do transporte da carga contrabandeada pelos rios do estado. De acordo com o delegado, as embarcações são levadas até o Estado do Amapá, onde se encontram com navios internacionais. O delegado afirma que os barcos que não têm acordos com milicianos são roubados. Caso esse material seja colocado à venda no mercado, a milícia cobra um juro sobre a mercadoria.
  • Segurança armada privada: São grupos que ofertam segurança privada para alguns comerciantes, em troca de alguns valores especificados. Essas milícias identificam os estabelecimentos com uma placa ou adesivos. Caso ocorra algum tipo de atentado contra aquele local, o grupo toma uma iniciativa de punir os ofensores. Caso o estabelecimento opte por não fazer o acordo com a milícia, ele é assaltado.
  • Tráfico de drogas: Devido à alta rentabilidade do tráfico de drogas, alguns grupos milicianos começaram a exigir taxas de alguns traficantes para que a venda continuasse a acontecer. Caso contrário, os traficantes são mortos ou expulsos da localidade.
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